A Bio/Geodiversidade

A Praia do Forte está localizada no município de Mata de São João, a cerca de 50 km do Aeroporto Internacional de Salvador, sendo caracterizada por uma praia de textura arenosa e pela presença de recifes de corais. Os recifes desta praia ocorrem próximo à linha de costa ou na face litorânea - plataforma interna/média. Eles estão assentados em afloramentos rochosos do embasamento cristalino do Alto de Salvador, ficam expostos durante a baixa-mar, são parcialmente recobertos por areias quartzosas, formam bancos adjacentes à costa, e têm dimensões longitudinais limitadas.

Um recife de coral, sob o ponto de vista geomorfológico, é uma estrutura rochosa, rígida, resistente à ação mecânica de ondas e correntes marinhas, é construída por organismos marinhos (animais e vegetais) portadores de esqueleto calcário. Eles constituem um dos mais importantes e diversificados ecossistemas marinhos, e possuem grande relevância ecológica, geológica e econômica. Esses ecossistemas são berçários para diversas espécies, são barreiras naturais de proteção da orla marítima e são ricos em recursos pesqueiros.

A zona costeira baiana, assim como outras zonas costeiras situadas em margens continentais passivas, teve sua origem controlada pela separação de blocos continentais, neste caso, América do Sul e África, o que determinou em larga escala as grandes linhas da sua fisiografia. A interação desta herança geológica com fatores como as variações do nível do mar e do clima, o suprimento de sedimentos, e a evolução das bacias sedimentares marginais, contribuiu na sua atual modelagem que é caracterizada por uma variedade de formas como tabuleiros costeiros, planícies...

Os recifes de corais desenvolveram-se nesta costa baiana, a cerca de 7.700 anos atrás. Os recifes de corais do litoral norte do Estado estão localizados entre a praia de Abaí e a Praia do Forte, numa extensão de aproximadamente 20 km. Eles iniciaram o seu crescimento em elevações isoladas da costa, porém, com o abaixamento do nível do mar nos últimos 5.700 anos, a linha de costa progradou, alcançando os bancos recifais, e os soterrou parcialmente.

Os recifes de corais de Praia do Forte tiveram o clímax de seu desenvolvimento entre 7000 e 3000 anos AP (Antes do Presente). Neste intervalo de cerca de 4000 anos ocorreu o pleno desenvolvimento deste ecossistema na plataforma continental interna, com bancos que atingiram mais que 9m de altura. A partir de 3000 anos AP, o abaixamento do nível do mar favoreceu o crescimento lateral do recife, prejudicando seu crescimento vertical, levando ao truncamento do topo destes bancos pela sua exposição acima do nível do mar e posteriormente foram parcialmente soterrados durante a progradação da linha de costa.

Além das belezas naturais, a praia encontra-se em uma vila bastante agradável e sossegada que apresenta uma boa infra-estutura para atendimento aos turistas, composta por serviços de hotelaria, bancos, lojas, bares e restaurantes.

Com 12km de costa, a Praia do Forte é um destino voltado ao ecoturismo e turismo de aventura. Entre seus atrativos, inclui-se a Reserva Ecológica da Sapiranga, o Castelo Garcia D´Ávila, o Instituto Baleia Jubarte, e o Projeto Tamar.

A Reserva da Sapiranga, uma área com aproximadamente 550ha de Mata Atlântica, possui uma rica diversidade de plantas e animais nativos e atividades voltadas ao ecoturismo como passeios de quadriciclos e canoagem. A reserva está inserida na APA Litoral Norte do Estado da Bahia, e é classificada como Zona de Proteção Rigorosa e como Reserva Legal da Fazenda Praia do Forte.

O castelo Garcia D’Ávila é a única construção das Américas com características medievais, começou a ser construído em 1551 e foi concluído em 1624. A parte mais antiga da edificação é a capela de São Pedro dos Rates, atualmente chamada de Capela de Todos os Santos. A Casa da Torre, como também é conhecido, se destacou na história da colonização e defesa do Brasil durante três séculos, sendo considerada a primeira grande edificação portuguesa no Brasil. O castelo foi a sede do maior latifúndio do mundo com um total de 800 mil km² administrado pelos D’Ávila, até a terceira geração, os Morgado da Torre. A edificação foi tombada pelo IPHAN em 1937 e está inserida no Parque Histórico e Cultural, do qual também fazem parte o Sítio Arqueológico, a área no entorno e um Centro de Visitação com 1.700m² .

Destacam-se também dois importantes projetos em educação ambiental como o desenvolvido pelo Instituto Baleia Jubarte e o Projeto Tamar.

O Instituto Baleia Jubarte tem como objetivo monitorar e conservar as baleias jubarte em águas brasileiras. Entre os meses de julho e outubro as jubartes destinam-se à Praia do Forte, onde se concentram para o período de reprodução. O Instituto oferece aos visitantes várias atividades, incluindo a possibilidade de observar as baleias em alto mar, vislumbrando as acrobacias desses animais mais de perto.

Sem dúvidas, o mais famoso atrativo da Praia do Forte é o nascimento das tartarugas marinhas. O litoral norte do Estado da Bahia é a principal área no Atlântico Sul de desova - entre os meses de setembro e março - de tartarugas-cabeçudos e tartarugas-de-pente, além de tartarugas-oliva e, em menor número, de tartarugas-verdes. Destaca-se nesta área o Projeto Tamar, que há 32 anos trabalha na pesquisa, proteção e manejo de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção.

Ficha turística

  • Ambientes marinhos
  • Didático / Turístico
  • Um dia
  • Permitido
  • Gratuito
  • Acesso livre
  • Ótima
  • Latitude: 12°34’41”S
    Longitude: 38°0’5”W

Saiba mais...

Dominguez, J.M.L., Bittencourt, A.C. da S.P., 2012. Zona Costeira. In: Barbosa et al. (org.) Geologia da Bahia: pesquisa e atualização. Salvador: CBPM vol. 2 (Série publicações especiais; 13 p. 365-426.

Kikuchi, R.K.P., 2000. Evolução Holocênica dos Recifes e da Comunidade de Corais Hermatípicos na Plataforma Continental Norte do Estado da Bahia. Tese de Doutorado. Instituto de Geociências. Universidade Federal da Bahia. 138p.

Nolasco, M.C., 1987. Construções carbonáticas da costa norte do Estado da Bahia (Salvador a Subaúma). Dissertação de Mestrado. Instituto de Geociências. Universidade Federal da Bahia. 141p.

Leão, Z.M.A.N., 1996. The coral reefs of Bahia: morphology, distribution and the major environmental impacts. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 68(3): 439-452.

Leão, Z.M.A.N., Kikuchi, R.K.P., 1999. The bahian coral reefs – from 7000 years BP to 2000 years AD. Ciência e Cultura, 51(3/4): 262-273.