Testemunho de um rifte!

Os conglomerados de Monte Serrat estão localizados na Ponta de Humaitá, na Peníncula de Itapagipe - Cidade Baixa, de onde se tem uma vista panorâmica para a Baía de Todos os Santos (BTS) e para a escarpa da Falha de Salvador. O afloramento de Monte Serrat é composto por intercalações de níveis de conglomerados, arenitos e lamitos, característicos de depósitos de leques deltáicos superpostos e amalgamados.

Os conglomerados de Monte Serrat formam depositados na fase sin-rifte da bacia do Recôncavo. Pertencentes à Formação Salvador, são compostos por leques conglomeráticos em formato de espessas cunhas que exibem afinamento em direção ao centro da bacia. Os conglomerados de Monte Serrat se apresentam com níveis polimíticos, compostos por clastos de gnaisses, granulitos, pegmatitos e anfibolitos, provenientes do Alto de Salvador. Incluem ainda, nos níveis estratigráficos superiores, extra-clastos de carbonatos originários da Formação Estância. Os clastos variam em granulometria de grânulos a matacões e o arredondamento varia de anguloso a arredondado, o que não tem sido relacionado ao transporte sofrido, mas à dureza dos seus constituintes e sua susceptibilidade ao intemperismo.

Estes conglomerados possuem extrema importância na história evolutiva da Bacia do Recôncavo, pois datam a instalação da fase rifte, visto que, depósitos de leques são sensíveis indicadores de controles alogênicos na bacia onde são depositados, como tectonismo e variações no nível do mar ou lago.

Destaca-se na Ponta de Humaitá, o Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat que foi erguido em torno de 1586, baseado em fortificações italianas, e representa um dos melhores exemplares da arquitetura militar do Brasil antigo. Com formato poligonal irregular e 3 canhões, o Forte deveria defender toda a BTS. Sua história registra inúmeros conflitos entre portugueses, alemães e espanhóis, tendo sido destruído e reconstruído várias vezes nos séculos 17 e 18. Seu atual formato hexagonal com uma torre em cada aresta data de 1693.

Você sabia que em 1939 na Baía de Todos os Santos foi descoberto o primeiro poço de petróleo no Brasil? O Poço do Lobato é o primeiro poço de petróleo brasileiro, e está localizado a cerca de 7km de Monte Serrat. A existência de petróleo no Brasil foi defendida por Monteiro Lobato em seus livros “O escândalo do Petróleo” (1936) e “O poço do Visconde, geologia para crianças” (1938). O 1° poço de petróleo brasileiro chamar-se Lobato é mera coincidência e deve-se ao petróleo ter sido descoberto na Fazenda do Sr. Lobato, que também deu origem ao nome do bairro onde está o poço. Até hoje há relatos de óleo na região e o caso chegou em 2013 até a imprensa nacional. O local infelizmente não apresenta condições para visitação.

A Ponta de Humaitá é um dos locais da capital baiana que pode-se vislumbrar um lindo por-do-sol.

Ficha turística

  • Sedimentologia
  • Didático / Turístico
  • 30 min.
  • Permitido
  • Gratuito
  • Acesso livre
  • Ótima
  • Evitar visitas noturnas
  • Latitude: 12°55’44”S
    Longitude: 38°31’9”W

Saiba mais...

Barbosa, J.S.F; Dominguez, J.M.L; Correa-Gomes, L.C; Marinho, M.M., 2007. O conglomerado de Mont Serrat e suas relações com o alto e a falha de Salvador - Bahia. Revista Brasileira de Geociências, 37(2): 324-332.

Araújo, F.G., 2008. Estudo litofaciológico da Formação Salvador em Mont Serrat, afloramento da Bacia do Recôncavo – Bahia. Trabalho Final de Graduação. Instituto de Geociências. Universidade Federal da Bahia. 75 p.