Pedaços da África estão espalhados pela Orla de Salvador!!!

A Orla Marítima da Cidade do Salvador é uma das mais extensas do país. São cerca de 50 km de praias, divididas entre cidade alta e cidade baixa. Estas praias são internacionalmente conhecidas pela sua beleza natural, história, cultura e gastronomia. Anualmente, os milhares de turistas que visitam a cidade incluem indubitavelmente a visitação às suas praias, já que as temperaturas médias de 21º C a 30º C convidam ao mergulho em qualquer época do ano.

A localização estratégica dos diques máficos nas mais belas praias da Orla Marítima favorece e facilita a visitação, tornando-os exemplares importantes do patrimônio geológico da cidade. As principais ocorrências de diques máficos em Salvador são encontradas nas praias da Vitória, Barra, Ondina, Rio Vermelho/Paciência, Amaralina, Pituba, Jardim de Alah e Itapuã.


Diques máficos são cicatrizes da história geotectônica e geodinâmica que transformou os continentes ao longo da evolução da Terra. Eles são os mais expressivos representantes do magmatismo basáltico.

A cidade de Salvador apresenta pelo menos duas famílias de rochas filonianas máficas e estão localizados no denominado Alto Salvador: a Província Metamáfica de Salvador: agrupamento de diques mais antigos, datando de ±1,5 bilhões de anos. Representados por diques máficos metamorfizados no fácies anfibolítico, tabulares no centro e boudinados nas bordas, que preservam texturas magmáticas reliquiares porfirítica, diabásica e ofítica, classificados principalmente como anfibolitos e metabasitos híbridos. Ocorrem principalmente na orla, na Praia da Paciência, no Jardim de Alah, em Amaralina, no Farol de Itapuã e nas pedreiras Valéria, Limoeiro e Fabriciano; a Província Litorânea: pertencem diques mais jovens, com idades em torno de ±1,0 bilhões de anos.

Representados por rochas onde predominam as feições vulcânicas com texturas holocristalinas, hipocristalinas e holoialinas, incluindo esferulitos de devitrificação e/ou amígdalas elípticas preenchidas por plagioclásio. Apresentam cor cinza-escuro a cinza-esverdeado, e tipos afíricos ou porfiríticos, isolados ou em glômeros.


Variam em espessura de poucos milímetros até 50 metros. Os diques não metamorfizados que pertencem a esta província predominam na região Sul do Estado com ocorrências nos municípios de São Félix-Cachoeira, na barragem Pedra do Cavalo; em Ilhéus-Olivença, Itacaré, e Camacã. Devido a suas características químico-mineralógicas apontam-se para área-fonte africana, mais especificamente no Congo, quando os continentes ainda estavam unidos. Na orla de Salvador exemplares da PLT localizam-se na praia da Barra, onde um espesso dique de tendência alcalina aflora na área do antigo Clube Espanhol, e na praia de Ondina.

Ficha turística

  • História da geologia
  • Didático / Turístico
  • 30 min.
  • Permitido
  • Gratuito
  • Acesso livre
  • Ótima
  • Melhor visibilidade durante o dia
  • Latitude: 12°59’53”S
    Longitude: 38°26’35”W

Saiba mais...

Carrilho, E.L.V., 2013. Mapeamento e geologia estrutural das rochas do setor oeste do Farol de Itapuã, Salvador, Bahia: Cinturão Salvador-Esplanada, Cráton do São Francisco. Trabalho Final de Graduação. Instituto de geociências. Universidade Federal da Bahia. 138p.

Corrêa Gomes, L.C., Oliveira, M.A.F.T. de, Motta, A.C., Cruz, M.J.M., 1996. Província de diques máficos do Estado da Bahia: mapas, estágio atual do conhecimento e evolução temporal. Salvador: SGM, 144 p.

Cruz, L.A. da, 2013. Aspectos de campo, petrografia e geoquímica preliminar dos diques máficos das praias Jardim de Alah, Paciência e Ondina, Salvador – Ba. Trabalho Final de Graduação. Intituto de Geociências. Universidade Federal da Bahia. 76p.

Moraes Brito, C., 1992. Caracterização geológica, geoquímica e petrológica dos diques máficos proterozoicos da região de Salvador, Bahia. Dissertação de Mestrado, IAG/USP, 96p.